segunda-feira, setembro 6
Basically...
sábado, maio 30
segunda-feira, abril 27
maybe tomorrow
"I've been down and I'm wondering why
These little black clouds keep walking around with me, with me
Waste time and I'd rather be high
Think I'll walk me outside and buy a rainbow smile but be free, they're all free
So maybe tomorrow I'll find my way home
So maybe tomorrow I'll find my way home
I look around at a beautifiul life
I've been the upper side of down
been the inside of out but we breathe, we breathe
I wanna a breeze in an open mind
I wanna swim in the ocean
wanna take my time for me, all me
So maybe tomorrow I'll find my way home
So maybe tomorrow I'll find my way home
So maybe tomorrow I'll find my way home
So maybe tomorrow I'll find my way home"
sexta-feira, março 13
Unbelievable

quarta-feira, janeiro 7
G & C
"E então, algum dia você vai me dizer seu nome?"
"Só se você me fizer esquecer o seu."
Ele riu, coçou o queixo, enfiou os dedos entre mechas do meu cabelo, puxou de leve minha cabeça até que enfim eu o encarasse.
"E até quando faremos isso? Não sei o que farei no dia em que você não aparecer."
"Você continuará vindo aqui. O silêncio ainda vai estar aqui... e tudo o que ele traz também."
"Não será o mesmo. Você me anestesia."
Sustentei o olhar dele por mais alguns segundos. Ele sorriu de novo, indecifrável, respirando e perscrutando cada linha do meu rosto. Fiz o mesmo. Então ele soltou meu cabelo devagar, levantou, acendeu mais um cigarro, deu alguns passos e parou em pé longe de mim, uma mão no bolso, fora de meu alcance.
"Eu queria que você não dificultasse as coisas. Somos estranhos um para o outro... e está tudo bem assim."
"Não está tudo bem quando não sei nem o nome da única pessoa com quem tenho vontade de estar em dias como esse... as outras pessoas me parecem enjoadas de tão doces, de tão solícitas... mas você... cada frase é como uma bofetada na cara. Me sinto queimar a cada olhar seu... e é tudo tão gratuito, tão sem motivo... e só me faz querer estar contigo cada vez mais. "
Sentou-se bem a minha frente, pernas cruzadas, tragando e tragando sem parar.
"Isso ainda vai lhe fazer muito mal, sabia?"
"Eu sei. Mas não me preocupo com isso realmente. Pelo menos isso nunca tirou o meu sono."
"E o que tira o seu sono?"
"Não saber nada de você."
Passei a mão pelo meu pescoço, suspirei, arranquei um pouco de grama, cheirei-a de leve. Por fim, me coloquei ao lado dele, perto demais, repentinamente desajeita e perturbada pela vontade de chegar mais e mais perto ainda.
"Eu gosto de saber só o que é realmente importante. Nada de nome, sobrenome, idade, árvore genealógica... tudo isso é irrelevante quando eu o olho e sei que sinto algo sem precisar saber o que você estuda ou quão grande é a sua conta bancária. Não acho que você precise saber o mesmo de mim."
"Eu concordo com tudo isso, mas queria você no meu dia a dia. Queria poder dizer: essa é tal e é a ela que eu amo. Eu nem sei quem você é no mundo real, por assim dizer... e talvez seja realmente irrelevante. Eu sei que é, na verdade.... mas não sei se não há um motivo maior pra tudo isso... me instiga que você negue a si mesma."
Fiquei quieta. Ele apagou o cigarro, olhou-me com o canto dos olhos, suspirou, virou-se para mim, suspirou de novo.
"Eu a aborreço?"
Sorri de leve.
"Não."
"Que pena."
Riu alto, eu ri junto. Colocou as mãos nos meus ombros, no meu pescoço, parou em minhas orelhas, brincando distraidamente com elas.
"Não é hoje que saberei pelo menos seu nome, então?"
"Eu posso inventar um, se você quiser, mas não queria ter que fazer isso."
"Pois não faça".
Apertou os olhos, mordeu os lábios, revirou os bolsos procurando o maço.
"Está no bolso de dentro do casaco... e eu preciso ir embora."
"Eu sei. E eu não posso ir junto."
"Não."
Chutou uma pedra, chutou outra, arremessou a próxima.
"E eu, eu o aborreço?"
"Sim."
"Porque eu não faço romance?"
"Exatamente."
"Eu tenho meus motivos."
"Mas não a impedem de se machucar."
"Não, mas me impedem de saber coisas irrelevantes sobre você que aumentariam as lembranças, os nós na garganta..."
"Por que você acha que tudo acaba?"
"Porque acaba. Simples, doloroso e cruel assim."
Lançou-me um olhar duro que logo se abrandou. Nunca tinha me olhado assim antes. Pela primeira vez, senti um certo desatino e medo. Chegou perto demais, tragou, soltou a fumaça no meu rosto e não sorriu. Entrelaçou uma de minhas mãos, balançou-a no ar, me puxou para mais perto, colocou os lábios nos meus.
"Bem... talvez acabe mesmo."
E acabou. Ele não mais apareceu e eu continuo vindo aqui. O silêncio é o mesmo, mas ele não traz nada consigo. Não chorei nem lamentei; não faço romance. Machucou, mas as lembranças pertencem a um lugar único, aqui. E todo dia, sorrio, trago e solto fumaça no ar... sinto-me aborrecida... trago, solto fumaça no ar, não sorrio e vou embora pensando "Porque acabou. Simples, doloroso e cruel assim."
quinta-feira, dezembro 18
"tic - tac, time goes by...
"Quem acredita sempre alcança."
"Querer é poder."
"Dinheiro não traz felicidade."
Bem, eu poderia entrar agora no tema "o tempo passa rápido x quereres não plenos e pouco definidos e um tanto impossíveis", mas a verdade é que estou empolgada demais com um certo seriado e preciso desesperadamente vê-lo. Tenho aprendido muitos palavrões em inglês com ele, não que isso me vá ser de grande serventia. E o indefinível também me desgasta. Ultimamente tudo tem sido um grande e rançoso talvez e isso me irrita tanto que me dá alergia.
É, é.
Apenas queria escrever algo. Estava muito tempo sem postar nada aqui. Tenho escritos inacabados... cheios de talvez.
"Fugit irreparabile tempus". Nice, Shane!
segunda-feira, agosto 18
Apenas um parêntese mal empregado.
Atenção capturada por um livro.
Stella. Antha. Deirdre. Rowan.
Quase um vício.
domingo, agosto 3
Metade
Eu fiz aquilo porque tudo estava tão morno, entende? Você bem sabe como eu odeio o morno. Quente ou frio, pra mim nunca teve essa de morno, esse meio termo que debocha da minha cara por não ser nenhum nem outro. Ou você é ou você não é, foi assim que eu sempre pensei. Mentira, foi assim que eu sempre me exteriorizei... Mas hoje de manhã, como num clic, eu percebi que tenho vivido constantemente na corda bamba, morrendo de medo de cair para o lado errado. É como se aquele colchão que amortece a queda existisse em apenas um dos lados e, de lá de cima, eu não conseguisse ver nada lá embaixo, ou seja, cinqüenta por cento de chance de rachar a cabeça no chão cimentado contra cinqüenta por cento de chance de rir aliviado sobre um colchão de ar barato e azul médio, nem escuro nem claro. Metade, metade, metade, a odiosa metade. E eu não sabia que eu vivia na metade até hoje... e todos aqueles medos infundados que eu sempre tive, aqueles receios e temores indefinidos que me atormentam de lugar nenhum, bem, tudo isso é o medo que eu sinto de cair pro lado errado. É por isso que eu sempre odiei o meio termo sem saber ao certo o porquê de tamanho ódio; eu sempre estive, bem ali, no meio. E agora sei que sou morno, exatamente morno, metade quente, metade frio. Ah, por favor, não me venha com esse olhar convidativo agora, não vou lhe mostrar a minha metade quente. E não, não vou colocar a mão na sua testa pra ver se você está febril, eu sei muito bem ao que isso pode nos levar. Eu estou tentando lhe explicar por que fiz aquilo, eu preciso que você entenda, eu tenho necessidade que você me escute e tente entender... acho que eu nunca precisei tanto de algo na vida como preciso que você fique quietinha e sóbria agora e se dispa desse meio sorriso zombeteiro... nós somos iguais... você mesma disse isso naquela tarde lenta e oleosa em que comemos um cachorro quente estragado na esquina e passamos o resto do dia vomitando, lembra? É claro que você lembra, foi a primeira vez que você usou a estratégia de “Meu bem, acho que estou com febre. Veja se você acha o mesmo”. Ah, não venha me dizer que não é uma estratégia, uma tática. Eu até acredito que naquela tarde nojenta não tenha sido, mas em todas as outras vezes você sabe que foi uma atitude pervertida da sua parte. Tudo bem, vou continuar acreditando que você é a ingenuidade
(...)
Meu bem, o que eu entendi disso tudo é que o chá que você tomou hoje de manhã era alucinógeno. Eu lhe disse, meu querido, meus chás são assim, você sabe, mas você insistiu
Ele caiu da corda bamba alguns anos depois... e até hoje não sei pra qual lado ou qual metade era mais forte. Só sei que havia concreto lá embaixo, concreto pintado de azul médio. Que lástima. E que ironia, não? Minha mente borbulha com piadinhas e deboches só de pensar nisso. Bem, depois dessa, nunca mais ofereci meus chás a ninguém, nem mesmo a pessoas inteiras, não partidas ao meio. Pensei ter me ouvido rachar um dia desses, mas nada senti. Bem, deve ser culpa dos chás.
sexta-feira, julho 25
Um tanto pra chegar em nada.
Mas eu realmente aprecio acordar tarde (mesmo que isso me deixe com mais sono e com dores no corpo), não sentir dor de cabeça por não ter dormido tanto quanto meu organismo necessita (e, sim, ele necessita mais que oito horas de sono), passar uma hora ou mais sentada na rua ou no meu quarto, apenas ouvindo música, sem ficar pensando "tenho coisas a fazer, tenho coisas a fazer e não vai dar tempo". Enfim, eu gosto de ficar em casa nas férias, com as minhas coisas, com a minha preguiça. E pra eu criar coragem de me arrumar e sair de casa, bem, o programa dever ser realmente bom. Na verdade, não basta ser bom, porque até o bom me dá preguiça. Eu apenas preciso estar com vontade de sair da inércia.
E é assim que eu curto as minhas férias, dando um tempo a mim mesma, tirando uma soneca no meu casulo. E isso me faz muito bem, porque interagir continuamente com as pessoas e com o mundo em si me sufoca. E, sinceramente, se eu posso escolher não me sentir sufocada, por que eu escolheria algo diferente? Não é uma questão de "aproveitar a vida" porque, na minha concepção dessa expressão (eu realmente não gosto quando as palavras rimam nos meus textos. Não há um motivo exato para isso.), aproveitar a vida não significa, necessariamente, sair "saracotiando" por aí. Não mesmo.
Hum... mas tudo o que escrevi aí em cima fugiu um tanto do propósito inicial desse texto. "Um tanto", eis uma expressão que eu gosto e uso bastante. Mas não vem ao caso. Minha intenção era falar de algo que tenho feito nas minhas férias (na verdade, faço durante o ano todo, mas não com tanta freqüência) que é baixar músicas. E eu tenho descoberto bandas realmente boas (na minha visão - ou melhor - audição - que é o que importa, não é, porque se eu acho bom ou ótimo, pouco me importa que outros achem péssimo e de mau gosto, mesmo que esses outros sejam o mundo todo). E realmente, se eu tivesse que escolher entre nunca mais escutar música e a vida de alguns seres humanos, bem, eu escolheria a música, com alguma culpa, é bem verdade, mas que se desvaneceria facilmente ao ligar o rádio. É por isso que tenho cuidado um pouco mais da saúde dos meus ouvidos. Já me basta envelhecer e carregar junto a minha miopia. Ficar surda seria realmente catastrófico, mas não vou falar mais disso, senão, como diz minha mãe: "Os anjos dizem amém." Não que eu acredite nisso, mas é melhor prevenir do que remediar. Ok, não sei se esse ditado se encaixa bem aqui, mas com ele eu concordo.
Já me perdi de novo. A prolixidade e eu, um caso de amor. Daqueles ardentes.
Eu ia falar um pouco do que tenho escutado e descoberto, mas, no momento, não estou me sentindo muito disposta a fazer isso. É, não tô. Vou escutar "Lua" e lembrar que eu não vi o Conor Oberst. E isso fez com que eu me lamentasse um tanto. Um tanto mesmo.
E talvez mude o layout desse blog, cansei desse verde. Deixando bem claro, não cansei do verde, e sim desse verde. Porque, como alguns sabem, eu sou um abacate ambulante. Falando em abacate, meu abacateiro não se prestou a dar filhotinhos esse ano. E eu me recuso a comprar abacate, não tendo um abacateiro gigante no pátio. Minha mangueira também não dá mangas, mas essa nunca deu mesmo. Que coisa.
Tá, chega.
quinta-feira, junho 19
Apegos
(Hoje vai ser mais um dia daqueles. Mais um daqueles dias suspensos, em que acordo com a certeza de que serei convencida de que sou uma farsa. Então a farsa vai pôr mais uma pele de mentiras por cima de si e vai sair por aí, a esmo, misturando personagens e histórias.)
Alguém apertou o botão lá fora e um som ruiu por todo o apartamento. Não quero levantar, meu estômago dói, mas o botão parece que grudou na direção do ruído. Pés descalços, o chão melado do doce que derrubei e tive preguiça de limpar. Dificuldade de achar as chaves... sim, estão em cima da geladeira onde ele sempre deixava, não consegui me desapegar do hábito.
-Talvez você não tenha conseguido se desapegar de muitos hábitos, minha amiga. Só passei aqui pra ver como você está... e pelo visto está em pedaços. Já tomou os seus remédios hoje?
(Meds, meds, meds... you are not her but I care about you...)
A personagem mentiu que tudo já estava sendo devidamente metabolizado pelo seu frágil organismo. E após algumas palavras tolas, sozinha novamente fiquei. Sozinha comigo e com os apegos.
Acho que vou me colar na parede. Talvez estando toda lá, não sinta apenas minha cabeça no meio de uma prensa. E talvez - e só um talvez muito incerto - prensada na parede consiga eu esquecer de quem criou todos os meus apegos.
quinta-feira, junho 5
Thursday.
Thursday doesn't even start.
Thursday never looking back.
Oh thursday watch the walls instead.
And it's not friday and I'm not in love.
The Cure me amacia.
segunda-feira, maio 19
Ring Ring
And I thought that I would kiss you
I never thought I would've missed you
But you never let me fall
Push my back against the wall
Everytime you call, you get so emotional
I'm freaking out."
Ainda vomitando uma certa mediocridade. Ou regurgitando, apenas. Sei lá.
Coisas de Musca domestica.
E cantarolando e balançando os pezinhos por aí.
terça-feira, maio 13
Simulacro
Não sei se há um sentimento que me faça tão mal quanto esse.
Talvez a sensação de mediocridade.
Mas a mediocridade é a causa da frustração. Pelo menos da minha.
E essa cabeça pesada, esse choro contido, essa vontade de sair correndo antes que tudo vire uma confusão são conseqüências - merecidas - de tudo isso. De toda essa mesmice, de toda essa autodecepção, de toda essa incapacidade de fazer direito o que eu sou capaz.
E não há palavras ensaiadas e conselhos clichês que façam com que eu me sinta melhor.
E enquanto eu me enraízo cada vez mais para evitar satisfações, mais e mais eu faço parecer que está tudo bem, quando o meu positivismo, é, na verdade, uma grande e nojenta piada.
E embora eu esteja realmente cansada disso tudo, eu finjo que tudo não passa de sono e mau-humor. E me auto-ironizo como, se assim, eu pudesse aliviar um pouco dessa estranheza tão conhecida que sinto em relação a mim mesma. Mas não alivia. Não mesmo.
(desconsiderem)
quinta-feira, maio 1
skinny like a model
- Quem?
- A menina que eu amo. Quer ver uma foto?
- Quero.
(...)
- Ela é realmente magra.
- E linda... e muito inteligente. Muito mais do que pensei que fosse ao vê-la pela primeira vez.
- Se ela é tão inteligente assim, chega a ser um insulto. Bela e sábia. Acho que se só fosse permitido ser um ou outro, o mundo seria diferente... não digo mais justo, mas menos fútil.
- Talvez... mas não acho que o mundo seria tão diferente assim... Apesar de bela e sábia, ela não é feliz.
- Não é?
- Não, pelo contrário. Acho que é uma das pessoas mais tristes que conheci. E foge do meu alcance entender o porquê disso e ser bem sucedido nas minhas tentativas de fazê-la feliz.
-Pegue. Não quero mais olhar a foto dessa menina bela, sábia e infeliz. É muito pesaroso.
- Também o é para mim. E o menino que você ama, como ele é?
- Ele é magro como um modelo. Quer ver uma foto?
Ambos eram magros como modelos. E amavam-se. Ela era a menina que ele amava e ele era o menino que ela amava. Mas, naquele momento, a menina e o menino que amavam eram uma terceira pessoa sobre quem eles falavam como se não fossem eles mesmos. E, talvez, não fossem mesmo.
"You're looking skinny like a model with your eyes all painted black
Just keep going to the bathroom, always say you'll be right back
Well, it takes one to know one, kid, I think you've got it bad
But what's so easy in the evening by the morning's such a drag."
sexta-feira, março 28
We are nowhere and it's now...
"-Ela parece distante, talvez seja porque está pensando em alguém. (...) Um garoto com quem cruzou em algum lugar e sentiu que eram parecidos.
-Em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguém ausente que criar laços com os que estão presentes.
-Ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.
-E ela? E a bagunça da vida dela? Quem vai pôr ordem?"
14:30
Numa rua amarela-acizentada, dois estranhos se deparam e se olham por alguns segundos. Ela, garota-querida-filha-idiota, perturbada por lembranças. Ele, garoto-querido-filho-babaca, perturbado por angústias. Entram no mesmo prédio. Mesma hora, salas diferentes.
Olhos borrados, cabelo sujo e molhado, roupa e pele exalando cheiros que não são meus. Cansei de cantar glórias pela minha baixeza. E me alertaram. Não seja boba, não continue mentindo pra você mesma que o amor é sempre cruel. Eu tenho agido como uma estranha, eu tenho sido uma estranha.
E então, garota, me diga onde você está agora? (porque você e eu não estamos em lugar algum).
E então, querida, me diga onde você está agora? (mas se não me disser, tudo bem, minha conta bancária vai aumentar independente do seu monólogo ou do seu silêncio.)
E então, minha filha, me diga, por favor, onde você está agora? (porque você nasceu de mim e é minha obrigação lhe ajudar - ou pelo menos fingir que me importo).
E então, sua idiota, onde está você nesse seu mundinho amarelo? Onde estou, onde estou?
E tudo se vai. Mesmo com a barreira, as lembranças continuam lá, não é garota-querida-filha-idiota? E num fluxo contínuo passam pela sua cabeça e lhe perturbam até mesmo quando você está comendo um sanduíche no bar da esquina.
Garota, você não está em lugar algum. (e faria alguma diferença se estivesse em algum lugar?)
Querida, você não está em lugar algum. (seria bom se, na próxima consulta, você trouxesse o pagamento do mês!)
Minha filha, você não está em lugar algum. (e talvez parte da culpa seja minha... mas uma parte muito ínfima. Mesmo.)
Sua idiota, você não está em lugar algum. (e o seu mundinho se desmorona todo como um sorvete de banana num dia quente de verão.)
Olhos ardidos, cabelo desarrumado e mal cortado, roupa e pele exalando cheiros que não são meus. Estou exausto de contar minhas vilezas como se delas me orgulhasse. E me avisaram. Não seja tão mesquinho, pare de interpretar a vítima de um amor que nem sempre é cruel. Eu tenho agido como um estranho, eu tenho sido um estranho.
E então, garoto, me diga onde você está agora? (porque você está no meu coração... por essa semana, pelo menos.)
E então, querido, me diga onde você está agora? (porque sua consulta está quase terminando e eu preciso encontrar minha amante.)
E então, meu filho, me diga, por favor, onde você está agora? (porque não faço nada além de cuidar de você... e não posso fracassar nisso também.)
E então, seu babaca, onde você está nesse seu mundinho acizentado? Onde estou, onde estou?
E nada do que ele faz parece ser suficiente para fazer a angústia ir descarga abaixo. Nada é constante. E você não tem conseguido dormir á noite, não é garoto-querido-filho-babaca? E mesmo quando tudo está calmo, como num susto, aquela angústia aparece e tira a graça de se remexer ao som de "doom da da di da di doom" num lugar qualquer com uma companhia qualquer.
Garoto, você não está em lugar algum. (irei chorar um coração partido mas amanhã já terei seguido em frente.)
Querida, você não está em lugar algum. (será que ela vai mesmo se separar pra ficar comigo? Garoto idiota, vem aqui e não fala nada!)
Meu filho, você não está em lugar algum. (e talvez eu realmente seja um fracasso em tudo que faço. Como posso exigir algo diferente de você?)
Seu babaca, você não está em lugar algum. (e o seu mundinho acizentando entra em colapso assim como uma criancinha perdida dos pais em um supermercado.)
15:40
Fim da consulta.
Esperam, lado a lado, o elevador. Mentalmente, perguntam-se: "Onde estará ele/ela agora? Será ela/ele tão parecido comigo quanto parece ser?"
Térreo.
A garota-querida-filha-idiota vai para a esquerda, rumo à sorveteria.
O garoto-querido-filho-babaca toma o caminho da direita, rumo ao supermercado.
Não olham para trás. Não seria o mesmo que olhar para lugar algum?
Jamais se encontraram novamente.
E o disco deles está arranhado na mesma parte, da mesma música.
"But if you stay too long inside my memory
I will trap you in a song tied to a melody
And I will keep you there so you can't bug me."
domingo, março 16
(3) Peças Perdidas
- E então, como foi que você ficou sabendo?
- A irmã dele me ligou. Ela achou que eu deveria saber. E você?
- Eu li no jornal. E decidi vir, mesmo sem ser convidado. Bem, acho que não existe convite pra essas coisas, não é? Ainda mais quando anunciam no jornal... quando tornam público assim.
- Ele se tornou uma pessoa pública, você bem sabe. Uma pessoa influente, importante pra sociedade. Se fosse com a gente, isso aqui estaria vazio.
- É, eu sei... mas pelo jeito você continua se subestimando, não é? Você sempre pôs tudo a perder com essa sua mania estúpida de inferioridade. Você sempre o venerou, sempre o achou melhor do que a gente.
- Eu estou apenas comentando que ele conseguiu o que queria. Ele se tornou uma pessoa importante. Eis tudo. E também não pretendo ficar discutindo as suas opiniões sobre mim. Nem sei por que estou aqui do seu lado agora. Não sei por que ainda insisto em me colocar nessa situação.
- Você sabe muito bem porquê. Você não consegue nem sustentar o olhar quando conversa comigo. Nem após todos esses anos... me diz, você se arrependeu alguma vez?
- Eu não entendo a relevância dessa conversa agora. Se eu me arrependi alguma vez? É óbvio que sim, todas as decisões difíceis tomadas na minha vida me atormentaram com um "e se..." em algum momento. Mas é aquela história, o tempo não volta.
- Que merda, Lívia, você continua com esse conformismo barato. O tempo não volta... é, não volta mesmo. Mas a gente podia ter feito algo, não acha? Sim, eu sei que nada seria como antes... mas talvez fosse até melhor. Você chegou a parar pra pensar nisso em alguma momento dessa sua vidinha cômoda e medíocre? O que poderia ter sido? Nós três...
- É incrível como você simplifica as coisas, Henrique! E o que a gente podia ter feito, me diz?
- Não sei, isso é algo que a gente teria descoberto juntos. Isso é algo que você poderia me dizer se contasse o que realmente aconteceu naquele dia em que você bateu na minha porta e me mandou esquecer que o Fabrício tinha feito, em algum momento, parte da minha vida.
Lívia olhou pra Henrique e, por uma fração de segundo, compreendeu o que ele quis dizer. Mas essa compreensão evaporou-se rapidamente quando ela contemplou o rosto calmo e bonito de Fabrício. Não, eles não poderiam ter descoberto juntos. Não, ela não poderia contar o que tinha realmente acontecido.
- Eu só queria não ter essa sensação entende? Eu nunca pensei que o "tarde demais" fosse acontecer. Não com a gente. Não comigo e com o Fabrício.
Novamente, por uma fração de segundo, Lívia compreendeu Henrique. Até ensaiou um gesto de carinho, mas ele dissolveu-se no ar quando ela contemplou, mais uma vez, o rosto calmo e bonito de Fabrício. Realmente, era tarde demais.
- Eu liguei pra ele há uns dois anos. Era meu aniversário e eu estava cansado de esperar que ele fosse me ligar, me procurar, sei lá... Disse pra ele que eu sentia muito por ter agido daquela maneira, por ter exigido uma atitude mais concreta dele. Por ter xingado ele de covarde. Ele ficou em silêncio enquanto eu falava por uns vinte minutos. Porra, era uma ligação internacional, e eu sempre fui um falido, cê sabe. Mas ouvir "eu também sinto saudades" no final da ligação fez tudo valer a pena. E não estou falando só do custo daquela ligação... tô falando daquilo que tínhamos.
-Você é um sonhador, Henrique. Você sempre traçou grandes planos, mas sem ambição. Viajar o mundo sem compromisso, aproveitar a juventude... você, eu e Fabrício. Sabe, eu acho que eu realmente teria gostado se tivesse dado certo. Nada mais me importava no mundo além de vocês dois. Um quebra-cabeça de três peças, lembra? Mas o Fabrício, apesar de ás vezes ser o mais empolgado, queria estabilidade. Ele planejava, brincava... mas pra ele era só sonho. Ele era inteligente demais pra sair por aí feito um aventureiro. Ele sempre foi "o rapaz de futuro brilhante". E nós dois... acho que de qualquer maneira, não teríamos feito parte desse fututo brilhante.
Henrique achava que Lívia estava completamente errada, mas se sentia triste e cansado demais para discutir isso com ela. É claro que eles faziam parte do futuro brilhante de Fabrício. E por que não fariam? Ele se recusava a acreditar que Fabrício os rejeitaria algum dia. Era ele quem tinha fugido, era ele que tinha sido o escolhido pra ir embora. Era ele quem tinha aceitado partir, quando, na verdade, deveria ter insistido em ficar.
- Por que vocês não deram certo? Eu tinha certeza que vocês iam se casar, que tudo ia ser feito como a gente tinha decidido que ia ser... eu deixei o caminho livre pra vocês dois, Lívia. Eu abdiquei de estar junto de vocês, eu sabia que ia ser melhor assim, ia ser o certo pra carreira do Fabrício. Nos dois anos que a gente passou juntos depois disso, em nenhum momento você me contou o que tinha dado errado no nosso plano. Eu preciso saber, Lívia...
Uma movimentação começou no local. As pessoas começaram a ser direcionar pra algum outro lugar, dois rapazes vestindo a mesma roupa se aproximaram de Fabrício e o retiraram dali, pedindo, timidamente, licença a Lívia e Henrique, que estavam extremamente próximos de Fabrício... tão perto e tão absortos na conversa que nem reparam nos olhares espantados e de reprovação que recebiam.
- Lívia, a missa vai começar. Henrique, tudo bem?
Henrique ficou paralisado ao ouvir aquela voz. Continuava doce, mas trazia um certo tom que o desconcertava. Virou-se, temendo encarar as duas ao mesmo tempo.
- Luíza, acho meio complicado dizer que está tudo bem nessa situação.
- É mesmo. A cerimônia vai começar. Sintam-se á vontade pra acompanhá-la. Mas não esperem que eu chame vocês pra prestar alguma homenagem.
Lívia e Henrique, sem se olharem, seguiram Luíza. Engoliam aquelas palavras ácidas com dificuldade.
-Lívia, você vai me contar o que deu errado entre vocês dois? Se tivesse dado certo, tudo teria sido diferente.
-Não acho que teria sido tão diferente assim, Henrique... mas se você precisa tanto saber, eu te conto depois da cerimônia.
Aliviado e, ao mesmo tempo, preocupado, Henrique entrou na capela. Finalmente, iria saber por que as três peças daquele quebra-cabeça não tinham se encaixado.
terça-feira, fevereiro 26
Assunto: blábláblá...
Na época de cursinho, tive que fazer uma redação sobre rotina. O ponto principal era se posicionar contra ou a favor se ter uma rotina. Minha posição era o meio termo, mas ter uma opinião "em cima do muro" não era um ponto a favor no vestibular. Tive que me posicionar, então. Creio que escolhi a favor da rotina, por tornar a vida mais organizada e blábláblá... embora um pouco monótona, isso dependendo de muitos fatores, obviamente . Bem, não era a minha opinião de verdade, já que eu não tinha exatamente uma opinião formada sobre malefícios e benefícios da tal rotina. Mas isso não vem ao caso. Não sei bem o que vem ao caso agora, na verdade. Muitas coisas, acredito.
Aquela frase clichê é realmente verdade, não é? "A vida é feita de escolhas..." Eu sei quais escolhas eu fiz pra minha vida, mas não sei muito bem no que elas foram baseadas. A verdade é que eu detesto escolher. Detesto decidir, mas me sinto profundamente importante quando tomo alguma decisão. É como se a cada escolha eu crescesse um pouquinho. Mesmo assim, algumas vezes, ter que escolher é uma maldade. É como se fosse um castigo sabe-se lá de quem.
Escolher, decidir, escolher, decidir. Tudo se resume a isso, não é?
Mesmo quando se escolhe não se escolher se está escolhendo. (!?)
Eu decidi não escolher em muitos momentos da minha vida. Geralmente nos assuntos menos práticos, naqueles que dizem respeito a quem sou e a quem quero ou gostaria de ser.
Pensei muito antes de escolher me posicionar favorável á rotina naquela redação há algum tempinho. E continuo pensando muito antes de tomar certas decisões, mesmo que às vezes eu aja por impulso motivada principalmente por uma preguiça de pensar e ponderar.
E mesmo que o "e se..." martele por longos momentos na minha cabeça quando eu resolvo reavaliar algumas das minhas escolhas, é assim que vai continuar sendo.
Pensar, ponderar, pensar, ponderar, pensar e, por fim, decidir.
Hum, reparei que não tenho certeza se pontuei corretamente o título do texto abaixo. Não lembro direitinho essas regras de título e tal... se alguém souber me dar um veredito sobre o meu título, não se reprima!

Foto um tanto tosca, mas que captura um dos melhores momentos do meu dia. São muitos os que não entendem todo esse afeto pelos animais, em especial pelos meus cachorros. Tem gente que acha esquisito ficar apertando, cutucando, cheirando e esmagando seres não humanos. Tem gente que acha até mesmo doentio. Já ouvi coisas do tipo "você faz veterinária porque é uma pessoa carente". Não é isso e, mesmo que fosse, é muito mais que isso. Eu não sei descrever o quanto significa e o quanto me faz bem todo esse carinho. É apenas algo que eu sei e sinto e é uma das coisas mais definitivas da minha vida. Talvez seja realmente uma loucurinha, é verdade, mas dela não abro mão. E não acho que algo possa mudar isso.
Ela, contradição.
Irritadiço. Viciado. Perdido. Desconcertado. Eis o que sou hoje.
E ela continua indo e vindo com aquele vestidinho verde musgo desbotado de sempre.
"(...) como pode algo se originar do seu oposto, por exemplo, o racional do irracional, o sensível do morto, o lógico do ilógico, a contemplação desinteressada do desejo cobiçoso, a vida para o próximo do egoísmo, a verdade dos erros? "
sábado, fevereiro 9
Falling in love at a coffee shop.
Olhando pela janela do hotel imundo e barato, Marcele passava os dedos pela cortina mofada, tentando esconder sua aflição. Mexia incessantemente no cabelo, alisava a blusa, tocava, enojada, naquela cortina mal cosida que a escondia do mundo - agora tão sombrio - lá fora. Tinha acordado, naquela manhã fria e pouco aconchegante, com uma sensação esquisita (não era pressentimento ou intuição; Marcele não tinha dessas coisas), com uma angústia que revirava seu estômago e deixava seus olhos ardidos. E agora estava ali, num lugar que cheirava a mofo e a promiscuidade, sem entender ao certo em que ponto da sua vida tinha se permitido entrar naquela situação absurda e confusa. Teria sido no dia em que tropeçara na própria sorte e escutara sádicas gargalhadas ao seu redor? Teria sido naquele dia em que fizera um corte de cabelo ousado e mudara a maneira como as pessoas a viam? Ou a origem de tudo aquilo estava na sua falta de malícia ao interpretar olhares, gestos e expressões? Mas, como num susto, percebeu que a compreensão não lhe iria adiantar em nada, não agora que era tarde demais. Tudo o que desejava era que Caio chegasse logo trazendo um pouco de café e a notícia de que estava tudo bem ou, então, de que tudo ficaria bem. Mas nada ficou bem. Caio chegou transtornado, batendo portas e chutando móveis, gritando o inegável, que era um fracassado e que tinha perdido o controle da situação. Marcele chorava e se recusava a acreditar no óbvio. O plano tinha sido falho desde o início, mal discutido, mal visualizado no contexto da vida deles... Estavam ferrados, nada parecia mais exato do que isso. Quando a porta foi arrombada, eles lançaram um olhar cúmplice um ao outro, mas dessa vez o trato não seria cumprido. Marcele morreu cinco meses depois, sem nem ter sido julgada. Disseram para Caio que a causa da morte tinha sido complicações no parto, mas, na realidade, foi pura má vontade e negligência médica. Caio viveu mais alguns anos, chegou até mesmo a conhecer o filho, um menino que vivia machucado por tropeçar na própria sorte e que, numa birra de criança, insistia em mudar o corte de cabelo com uma obstinação assustadora pra uma criança que demonstrava não ter malícia alguma. O remorso foi matando Caio aos poucos. Tudo o que Marcele havia pedido naquele dia era uma boa notícia e um pouco de café. Ele havia voltado com uma má notícia; haviam sido, enfim, localizados e não tinham mais como fugir. E quanto ao café... bem, ele havia esquecido do maldito café. E, no contexto da vida deles, isso era imperdoável.
(Marcele e Caio se conheceram numa cafeteria no inverno de um ano qualquer. Naquele dia, tomaram várias xícaras de café bem forte e quente e saíram da cafeteria de mãos dadas, apaixonados. Alguns dias depois, na mesma cafeteria, fizeram um trato: não deixariam que nada nem ninguém interferisse no que sentiam um pelo outro, nem eles mesmos. Um dia, Caio captou malícia nos olhares, nos gestos e nas expressões de um certo rapaz para com Marcele e, cumprindo o trato, não deixou que esse rapaz interferisse no que eles sentiam. Com o tempo, Marcele e Caio perceberam que por mais que confiassem na solidez do amor deles, ameaças e tentações sempre existiriam. Então, toda vez que conheciam alguém potencialmente ameaçador, lançavam um olhar cúmplice um ao outro e cumpriam o trato firmado na cafeteria. Esse mesmo olhar foi repetido inúmeras vezes, sempre após uma xícara de café bem forte e quente, até o dia em que foram descobertos. No impulso de proteger o amor, deixaram vários rastros que contribuíram para que fossem facilmente identificados como os responsáveis por aqueles desaparecimentos e mortes que aterrorizavam a pequena cidade com uma cafeteria ao centro. Naquele hotel imundo e barato, Marcele se perguntou em que ponto de sua vida tudo aquilo tinha começado. A resposta está naquele inverno de um ano qualquer, Marcele.)
texto escrito em dezembro de um ano qualquer, entre uma xícara e outra de um café bem forte e quente, ao som de Landon Pigg - Falling in love at a coffee shop.
Ando meio sem inspiração para escrever. Hoje, numa intensidade maior que a costumeira, estou irritadiça. Várias pequenas coisas têm me aborrecido. Pequenos detalhes numa conversa, numa situação, num planejamento... detalhes pouco significantes, mas que hoje estão assumindo proporções maiores. E hoje aquelas malditas idéias fixas estão mais fixas em mim do que jamais estiveram (mentira, algumas quase tatuagem já se tornaram). São "intentos" tão mesquinhos e fúteis... tá, talvez não sejam isso tanto assim. Mas, no fim, não me acrescentam nada além de frustação e de uma certa sensação de estousendoridícula.
"soon I'll grow up and I won't even flinch at your name"
sábado, janeiro 26
O tal de pra sempre.
- Hum?
- Você disse "vou te amar pra sempre".
- E daí? Eu te amo mesmo. Que conversa é essa, hein?
- Você não devia ter dito o pra sempre.
- Por que não? Não vai ser pra sempre, nós dois? É assim que tu pensa?
- Nós dois, mesmo que pra sempre, não significa amar pra sempre.
- O que está acontecendo, hein? Tu tá esquisita.
- Eu não acho que você vai me amar pra sempre.
- Por que diabos tu acha isso?
- Não sei bem ao certo... mas me soa tão absurdo amar alguém pra sempre! É pela vida toda, entende? E eu estou falando de amar mesmo, de sentir todas aquelas sensações esquisitas só de ver ou pensar na pessoa que se ama. Ninguém é tão especial assim!
- Então, pelo visto, tu não vai me amar pra sempre.
- Pelo visto não... quer dizer, talvez a gente fique juntos pra sempre. Você sempre vai ser importante pra mim porque você foi a única pessoa que me fez sentir todas aquelas sensações esquisitas misturadas de tal maneira a chegar a doer fisicamente. Mas, por mais que eu tente e insista comigo mesma, não sinto que o meu amor por você será eterno.
- Acho que tu tá confundindo amor com paixão, desejo. Realmente, daqui a alguns anos, a paixão entre nós já não vai ser a mesma... vai ter diminuído, eu imagino. Mas eu vou continuar te amando. Parece absurdo? Parece. Mas eu sei que é assim que vai ser.
- É, talvez... mas... hum... eu nunca disse "pra sempre".
- Por que tudo isso agora?
- Sei lá... é que você nunca tinha dito pra sempre, até ontem... e isso me assustou. Mas é tarde. Não leva muito em conta essas minhas bobagens, tá bem? Boa noite.
- Boa noite. Eu te amo... pra sempre.
- Também amo você.
- Não vai dizer pra sempre?
- Não.
Assim que amanheceu, ela já sabia, com uma certeza e confiança que nunca tivera antes na vida, o que fazer. Naquele dia mesmo, procurou um advogado para tratar da papelada e de todas as questões que envolvem um divórcio. Alegou que Marcos tinha prometido algo que jamais poderia cumprir, mesmo que pensasse que estava cumprindo. Quando contou num desabafo e numa falha tentativa de ser compreendida a história do "pra sempre" ao advogado, ele primeiro riu; depois, percebendo a expressão perturbada da cliente, aderiu ao ditado "com louco não se discute" e começou a preparar a papelada.
Eu, particularmente, não acho Maria tão louca assim.

